Você provavelmente já deve ter ouvido falar nos famosos “ciclos de 7 anos”, que representam fases específicas na vida das pessoas, pontuando não apenas fases genéricas como “adolescência”, “juventude” ou “velhice”, mas também períodos em que desafios testam o amadurecimento nas diversas áreas da vida.
O número 7 em quase todas as tradições místicas e religiosas é associado a algum tipo de ensinamento ou chave oculta para a compreensão da trajetória humana e do sentido do mundo. No Antigo Testamento, foram sete os dias que Deus levou para terminar sua Obra, assim como são sete os chamados “planetas sagrados”. Para Pitágoras, o sete era “sagrado, perfeito e poderoso”. Todavia, também foram sete as pragas do Egito e este é o número dos pecados capitais. O número de raios nos quais os arcanjos vibram também é sete, assim como os chacras, as notas musicais e as cores do arco-íris.
Como cada período de sete anos representa uma etapa no desenvolvimento espiritual e biológico do ser humano, temos, ao fim de cada um destes ciclos, uma espécie de desafio para o amadurecimento, nos mais diversos planos e níveis.
Aos 7 anos de idade, a criança começa a lidar com suas primeiras responsabilidades na escola, que deixa de ser simplesmente um espaço de lazer como vinha sendo até então. Os pais passam a impor suas exigências de uma outra forma com ela, posto que a primeira infância é dada por encerrada. Para muitos iniciados, é este o momento em que o ser humano começa a se tornar responsável por seu destino espiritual.
Quando faz 14 anos já não há mais uma criança, e sim um adolescente no meio do caminho entre a fase anterior e a vida adulta. Esta é uma das fases mais difíceis da existência e a pessoa tende a não compreender muito bem quem ela é. Diversas circunstâncias restringentes a colocam como criança, paralelamente há situações onde um maior amadurecimento é exigido. Isso geralmente cria um quadro de tensão, insegurança e revolta, no qual a conformação final do caráter estará em jogo.
Aos 21 anos, o jovem que deixou a adolescência para trás há poucos anos vive um dos momentos mais gratificantes da vida: já é relativamente independente, principalmente do ponto de vista jurídico; seu metabolismo e a forma física estão no auge; a iniciação amorosa e sexual já ocorreu e o interesse na carreira profissional já está manifesto, muitas vezes de forma idealizada.
Por volta do 28º aniversário, fica claro que a juventude acabou: geralmente a pessoa está cercada de responsabilidades e obrigações que a impedem de levar a vida mais despreocupada e com os poucos compromissos que tinha quando sete anos mais jovem. A posição conquistada na carreira não permite que riscos desnecessários sejam vividos, as contas e demais despesas são de sua inteira responsabilidade e, provavelmente, ela já está casada e com filhos. Se ela insistir em viver como se estivesse na etapa anterior ou ainda não tiver conquistado alguns dos objetivos acima, se sentirá cobrada, deslocada em relação aos colegas da mesma idade e é possível que sofra consideravelmente. Esta etapa marca ainda o final do primeiro ciclo de 28 anos (28 = 7 X4). Enquanto o indivíduo não for capaz de enquadrar-se no nível de exigência e amadurecimento que lhe é solicitado, ele se sentirá num estado dissonante em relação à própria vida. É quando ocorre o chamado “Retorno de Saturno”.
Aos 35 anos, o ciclo evidencia o início de um envelhecimento mais acelerado onde o cuidado com a saúde passa a ser de importância cada vez mais crescente. A maioria das pessoas não possui mais a beleza e a forma física de antes: a pele está mais enrugada, alguns já apresentam cabelos brancos ou mesmo uma calvície pronunciada, podem engordar um pouquinho etc. Quanto mais a pessoa levar uma vida saudável e amar a si mesma, mais ela conseguirá ser feliz.
Aos 42 anos, ocorre uma espécie de “nova adolescência”. Bem no meio do caminho entre a juventude e a velhice, a pessoa pode sentir uma certa dificuldade em se localizar qualitativamente do ponto de vista cronológico, agindo, por vezes, tanto como se ainda fosse um jovem ou como se antecipasse a própria velhice. Esta é uma etapa importante porque: 1) algumas pessoas tentam recuperar a juventude perdida a qualquer custo, para realizar coisas que ainda não fizeram, e sentem que será a última oportunidade de que possam vir a fazê-las. Pode ser um momento de crise. Muitos casais se separam, alguns largam o emprego claustrofóbico para investir na vocação pessoal e na carreira sonhada etc. 2) Outros, por sua vez, parece que se entregam à idade, chegando até mesmo a contribuírem para a aceleração do próprio envelhecimento, mantendo hábitos que agridem o corpo e o espírito, não se permitindo incorporar as diversas novidades que os novos tempos inevitavelmente trazem etc. Aqui, sem dúvida, o ideal é o caminho do meio.
Quando faz 49 anos, o indivíduo já se libertou da segunda adolescência da etapa anterior e se sente novamente bem mais adequado à fase da vida na qual se encontra. Ele finalmente se dá conta de que os quarenta anos puderam ser muito bem vividos e nem por isso - muito pelo contrário, aliás - há um estado de decrepitude ou incapacidade. Ainda restam muitas metas profissionais a serem conquistadas, os filhos crescidos começam a seguir a vida com os próprios pés, liberando-o de uma grande responsabilidade que vinha carregando há um bom tempo. Esta não deixa de ser uma segunda juventude, mas com a sabedoria de uma vida mais madura.
Por volta dos 56 anos, a pessoa vive o seu segundo Retorno de Saturno e, portanto, ela está prestes a fechar mais um ciclo, como se fosse chamada a prestar contas da vida que ela mesma escolheu. Assim como quando tinha 28 anos, ela fará um balanço entre suas opções em anos recentes e a situação na qual se encontra. Se valorizou os afetos de sua vida e tem companhias ao lado de si, se cuidou de sua saúde e pode usufruir de uma boa qualidade de vida, se juntou dinheiro ao longo da carreira e dispõe de tranqüilidade financeira etc. Muito chegam no auge da vida profissional justamente neste momento, tornando-se referência em suas respectivas áreas de atuação. Para alguns, os netos são grande fonte de alegrias e satisfação com a vida, além de possibilitarem a sensação de imortalidade através da descendência.
Aos 63 anos, a terceira idade já está diante de si e a pessoa, mais uma vez, colherá aquilo que plantou. A experiência da velhice - que, de fato, não é das fases mais simples da vida - será proporcional àquelas escolhas decisivas feitas nas várias etapas percorridas até aqui. O maior desafio, entretanto, parece ser realmente a preservação do corpo, da mente e das emoções frente a dificuldades e dissabores desnecessários. Alguns iniciam um movimento de recolher-se e seguem o caminho da aposentadoria que, sem dúvida, requer toda uma adaptação (nem sempre fácil) a uma nova forma de lidar com o cotidiano.
Aos 70 anos, a velhice já é uma realidade evidente e muitas limitações se fazem sentir. A visão, a audição e os outros sentidos não são mais tão precisos como antes; os reflexos não respondem da mesma maneira e o cansaço chega rapidamente depois de qualquer esforço. Como o corpo não é mais um recurso confiável, a mente, as emoções, a sabedoria e a espiritualidade serão os grandes alicerces da velhice daqui por diante. A vida interior se torna muito mais importante que os aspectos da realidade mundana e o grande desafio desta etapa é a maneira como a inexorável aproximação da morte será encarada.
Quando faz 77 anos, a pessoa percebe que muitos dos seus contemporâneos já se foram, talvez o próprio cônjuge ou até mesmo um filho. A perspectiva da morte e a forma como lidar com a perda de entes queridos é o grande desafio aqui. Para tanto, será de suma importância ela se manter interessada nas notícias do dia-a-dia e em contato constante com os membros mais jovens da família, dando e recebendo afeto.
Por volta dos 84 anos, a lucidez figura como uma das questões mais importantes. Muitos idosos nesta idade passam por um processo sem volta de degeneração física e mental, como se ingressassem novamente na infância ao final da velhice. Aqueles que ultrapassam esta idade lúcidos e com saúde são, com certeza, indivíduos muito especiais. Podemos dizer que venceram com sucesso os desafios que os ciclos costumam criar (mesmo que, no passado, tenham sucumbido aqui e ali). Portanto, não cabe mais lançá-los em novos desafios, pois eles tiveram uma vida vitoriosa.